• Julia Pires

A MATERNIDADE COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL

Concepções bastante difundidas sobre a #maternidade (como amor incondicional, superior e inabalável, instinto materno capaz de tornar mulheres aptas a serem boas mães a qualquer tempo e condições, felicidade insubstituível) são produções sócio-históricas-culturais. O Mito do Amor Materno, propagado desde o fim do século XVIII, trata-se de uma criação fruto de diversos interesses sociais, culturais e econômicos, de cada época.


Meados de 1760 tornaram-se crescentes as publicações orientando as mulheres a serem mães e cuidarem pessoalmente de seus filhos, exaltando-se o amor materno como nunca antes, pois instaurava-se um padrão na burguesia no qual os filhos foram reavaliados como seres importantes. Até então, tinham sido criados por toda aldeia, não havendo identificação parental e sendo suas experiências emocionais independentes das de seus pais. Após a revolução industrial, a família transitou entre a sociabilidade aldeã para a privacidade isolada, o que ocasionou a retirada das crianças da vida comum e crianças cuidadas por Amas até seus 5 anos. Mas foi pouco antes do início do século XIX que o amor materno foi considerado natural nas mulheres. Era importante a criança sobreviver pois era vista como futura mão de obra produtiva para o Estado. Percebe-se que o Amor Materno passa a ser visto como essencial a partir da dimensão econômica.



Por isso, a filósofa Elisabeth Badinter questiona a natureza instintiva do sentimento materno, afirmando que este amor não é inato, mas é um sentimento humano como outro qualquer, podendo ou não acontecer pois a dedicação da #mãe à sua prole não foram inerentes à todos os meios sociais, inexistindo uma conduta materna universal e necessária. Não sendo o amor materno da ordem da natureza, é possível que ele seja inserido no campo de estudo das ciências humanas, favorecendo transformações sociais, culturais, no nível da autonomia e do assumir responsabilidades.


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